As paredes respiram festa e risos de criança e sente-se no ar o aroma a tardes de domingo.
Há sempre algo fora do sítio, o vestido de uma boneca, um lápis de cor, pedacinhos de papel a fazer de moedas... Há bonecas nos degraus com livros de histórias à frente, numa escola reinventada pela imaginação infantil....
Há livros fora das estantes, que só se guardam, depois de lidos e vividos. São livros que se lêem, estudam e sublinham. Livros que nos fazem sonhar, pensar ou duvidar. Livros que temos de ler, porque apoiam a nossa profissão, e que nos perseguem como as chaves de casa ou os óculos de sol.
A minha casa não é um museu, intocável, irrepreensível, sempre em ordem. Está limpa, à vista de todos e também dentro das gavetas e atrás dos móveis... mas não é uma casa absolutamente arrumada. Nunca o consegui, tal é o corropio de gente que entra e sai, os jantares e lanches que se improvisam à última da hora, as festas que se preparam com entusiasmo e antecipação.
(Mas, para viver a minha casa com mais alegria, só precisava de parar de comer assim...)